Sabia que 80% das falhas em revestimentos têm origem numa má preparação da superfície?
De acordo com a AMPP, estima-se que cerca de 80% das falhas em revestimentos protetores estejam diretamente relacionadas com uma preparação inadequada da superfície, sendo esta etapa crítica para a aderência e desempenho a longo prazo dos sistemas de pintura industrial.
- Este dado amplamente reconhecido, inclusive em literatura técnica da área da corrosão e dos revestimentos industriais, reforça uma verdade essencial: a preparação de superfícies pode ser uma das primeiras etapas do processo de aplicação de revestimentos, mas é também a que tem maior impacto na criação de sistemas eficazes e de elevada durabilidade.
- As normas aplicáveis são suficientes?
- As condições ideais para uma boa aderência estão descritas em diferentes normas internacionais, incluindo as normas ISO, conforme se detalha:
- • ISO 8501 – Define os níveis de limpeza visual (Sa 1, Sa 2, Sa 2½, Sa 3) e o estado inicial da superfície (A–D).
- • ISO 8502 – Avalia contaminações invisíveis após o jato abrasivo (sais solúveis, poeiras, humidade, gorduras).
- • ISO 8503 – Define e classifica a rugosidade (perfil de jato) em F – Fine, M – Medium, C – Coarse (com valores Rz em µm).
- • ISO 8504 – Descreve os princípios gerais para a seleção dos métodos de preparação de superfícies e os fatores a considerar antes da escolha e especificação.
- Métodos habituais de preparação de superfícies
- Como descrito na ISO 8504, existem vários métodos de limpeza e preparação de superfícies, e cada um deles permite obter superfícies com características distintas.
- As superfícies de aço são frequentemente preparadas por jateamento abrasivo ou através de ferramentas mecânicas, antes da aplicação de um revestimento.
- Estes processos removem óxidos, revestimentos antigos, carepas e outros contaminantes, criando simultaneamente uma rugosidade na superfície, para melhorar a aderência do revestimento.
- O nível de limpeza obtido pode ser semelhante, mas existem diferenças significativas na rugosidade e tipo de rugosidade que cada um dos métodos permite. É esta morfologia da superfície que determina o comportamento e a durabilidade do revestimento ao longo do tempo.
- Temos nível de limpeza e rugosidade. O que falta?
- A preparação de superfícies gera um perfil complexo de picos e vales que pode ser medido para garantir conformidade com as especificações de proteção a longo prazo.
- É geralmente aceite que a natureza dos perfis de superfície é preditiva do desempenho a longo prazo dos revestimentos.
- A caracterização do perfil da superfície pode ser efetuada com diferentes valores, incluindo a altura (H), densidade (Pd) e forma ou angularidade dos picos.
- Habitualmente apenas a altura dos picos é medida, como parâmetro de rugosidade. Contudo este parâmetro isolado não descreve o comportamento completo entre o revestimento e o substrato.
- Picos com alturas insuficientes reduzem a aderência, enquanto picos com alturas excessivas podem comprometer a integridade do revestimento e originar pontos de corrosão.
- Será a altura do pico suficiente para prever o desempenho do revestimento?
- A altura do pico (H), também designada por rugosidade, é uma medida importante, mas não é, por si só, um método fiável para prever a durabilidade ou aderência de um revestimento. Os tipos mais comuns de rugosidade são o Ra (rugosidade média aritmética) e o Rz (altura máxima média do perfil). Ainda que estes parâmetros descrevam a textura superficial, nenhum deles, isoladamente, consegue representar de forma completa a interação entre o revestimento e o substrato, já que diferentes perfis podem gerar níveis de aderência semelhantes.
- Parâmetros a considerar
- Além da rugosidade, é essencial avaliar a distribuição dos picos na superfície, expressa pelos parâmetros Rpc ou Pd.
- • O Rpc (Peak Count), definido na norma ISO 4287, indica o número de picos por unidade de comprimento do perfil (picos/mm) e caracteriza a textura linear da superfície.
- • O Pd (Peak Density), ou Spd, conforme a norma ISO 25178-2, refere-se ao número de picos por unidade de área (picos/mm²), fornecendo uma visão tridimensional mais completa da topografia.
- Superfícies com maior densidade de picos oferecem mais pontos de ancoragem ao revestimento, enquanto densidades muito baixas podem comprometer a aderência.
- A relação equilibrada entre a rugosidade e a densidade dos picos (Spd ou Rpc) permite prever com maior precisão o desempenho e a durabilidade do revestimento.
- Existem diferentes formas de ajustar estes indicadores, sendo que o principal é a seleção adequada do tipo, tamanho e dureza do abrasivo.
- Questão para reflexão:
- O que é mais determinante: as propriedades do revestimento ou a preparação da superfície?
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